African Energy Week 2026: a sete dias da Cidade do Cabo, Angola prepara-se para marcar a agenda

Faltam apenas sete dias para a abertura da African Energy Week (AEW) 2026, que decorre de 12 a 16 de Outubro no Cape Town International Convention Centre, na África do Sul. Organizado pela African Energy Chamber, o encontro deverá reunir mais de 9.000 delegados de mais de 100 países, sob o lema «Invest in African Energies: Affordable and Abundant Energy Additions». A Revista BRENT estará presente na Cidade do Cabo, a convite de NJ Ayuk, Presidente Executivo da African Energy Chamber, para acompanhar de perto a participação angolana.

O maior palco de negócios da energia africana

A AEW tornou-se o principal ponto de encontro anual entre governos, companhias petrolíferas nacionais, operadoras internacionais, financiadores e promotores de projectos de energia em África. Mais do que uma conferência, funciona como uma plataforma de negócios: é ali que se anunciam rondas de licitação, se assinam acordos e se apresentam projectos à procura de capital.

O lema deste ano põe o acento no investimento e no acesso a energia acessível e abundante. Para NJ Ayuk, «o investimento em energia constrói-se com instituições fortes, políticas claras e quadros de investimento competitivos». É precisamente nesse terreno que Angola tem procurado diferenciar-se nos últimos anos.

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O que está em jogo para Angola

Angola chega à Cidade do Cabo com uma carteira de projectos para mostrar e capital para atrair. A Sonangol, que celebra 50 anos em 2026, é patrocinadora Emerald do evento. Nas palavras de NJ Ayuk, a empresa «continua a demonstrar a importância estratégica das companhias petrolíferas nacionais africanas na construção do futuro energético do continente».

A montra angolana inclui projectos em várias fases:

  • Agogo Integrated West Hub (Bloco 15/06): em produção desde 2025, com a Azule Energy e a Sinopec.
  • Kaminho (Bloco 20/11): com a TotalEnergies e a Petronas, prevê o primeiro óleo em 2028, com cerca de 70.000 barris por dia.
  • Quiluma (New Gas Consortium): primeiro projecto de gás não associado, com um patamar previsto de 330 milhões de pés cúbicos por dia para a Angola LNG.
  • Refinaria de Cabinda: em fase final de testes e comissionamento.
  • Quilemba Solar: aposta da Sonangol nas renováveis, no sul do país.

A ANPG também estará representada, com o administrador executivo Alcides Andrade entre os oradores anunciados. Em debate estarão as reformas regulatórias, a estabilização da produção e a estratégia de investimento de 60 mil milhões de dólares até 2030. Para um país que precisa de travar o declínio natural dos campos maduros, a AEW é uma oportunidade para convencer investidores de que o ciclo de investimento em curso é durável.

Conteúdo local: da política à execução

Para o empresariado angolano, o interesse da AEW vai além dos grandes projectos. Angola quer que as empresas nacionais atinjam 20% de participação até 2027. A ANPG aprovou contratos no valor de 54,4 mil milhões de dólares entre 2022 e 2025, o que dá a medida do mercado em disputa.

O debate já não é sobre a existência de regras, porque o Regime Jurídico do Conteúdo Local (Decreto Presidencial n.º 271/20) está em vigor. A questão é como passar à execução sem comprometer a economia dos projectos. No fórum de conteúdo local do Afreximbank, em Setembro, em Luanda, o banco defendeu que as empresas angolanas devem passar «da participação e prestação de serviços para a propriedade e a escala». A compra, pela Etu Energias, de posições da Chevron nos Blocos 14 e 14K, com a intenção de vir a operar o Bloco 14, mostra que esse caminho já começou.

A Cidade do Cabo é o lugar certo para medir o progresso angolano face aos pares do continente. Países como a Nigéria têm décadas de experiência com operadores indígenas, e Angola pode aprender com esses casos e mostrar os seus.

A BRENT na Cidade do Cabo

A convite de NJ Ayuk, a Revista BRENT fará a cobertura da AEW 2026 no terreno. Vamos acompanhar as intervenções da Sonangol, da ANPG e das operadoras presentes em Angola, os acordos que venham a ser assinados e, sobretudo, as oportunidades para as empresas e os quadros angolanos.

Ao longo da semana, os leitores da BRENT e os ouvintes do Crude Cast poderão contar com notícias, entrevistas e análises a partir da Cidade do Cabo. A contagem decrescente começou: faltam sete dias.

Fontes

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