Luanda — A Revista BRENT abre hoje uma nova secção permanente: MULHERES DO SECTOR. Um espaço fixo, dedicado às mulheres que fazem o petróleo e o gás em Angola — no escritório, na plataforma, no laboratório, no terreno e nos lugares onde se decide.
Não é uma secção comemorativa. Não vai existir apenas em Março, nem apenas quando houver um evento. Vai existir todos os meses, porque a presença feminina nesta indústria também é permanente — e merece ser tratada como matéria de rotina editorial, e não como excepção.
Porque abrimos esta secção
Quem acompanha o sector petrolífero angolano conhece os números das operadoras, os blocos, os volumes e os contratos. Conhece menos as pessoas que os tornam possíveis. E, dentro desse conjunto, há um grupo cuja presença cresceu de forma consistente nas últimas duas décadas sem que a cobertura mediática tenha acompanhado o mesmo ritmo.
Segundo dados avançados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), as mulheres representam cerca de 20% da força de trabalho do sector petrolífero angolano — mais de seis mil profissionais distribuídas por toda a cadeia de valor. É uma percentagem que diz duas coisas ao mesmo tempo: que há já um contingente sólido de mulheres na indústria, e que ainda há muito caminho por fazer.
A BRENT entende que a melhor forma de contribuir para esse caminho não é escrever sobre o tema em abstracto. É mostrar quem são, o que fazem e como chegaram lá.
Quem vamos retratar
Esta secção não se limita à liderança de topo, embora também a inclua. Interessa-nos toda a extensão do trabalho feminino no sector:
- Funções técnicas e operacionais — geólogas, engenheiras de reservatórios, engenheiras de perfuração, técnicas de manutenção, operadoras de produção, profissionais de HSE, inspectoras, soldadoras, electricistas industriais.
- Trabalho offshore — mulheres que cumprem rotações em plataforma, com tudo o que isso exige em termos físicos, técnicos e de organização familiar.
- Cadeia de fornecimento e serviços — logística, aprovisionamento, conteúdo local, gestão de contratos, empresas fundadas e dirigidas por angolanas.
- Liderança e decisão — administradoras, directoras, gestoras de projecto, quadros de instituições reguladoras e da administração do sector.
- Formação e investigação — professoras, formadoras e investigadoras que preparam a geração seguinte.
Interessa-nos, sobretudo, o percurso: a formação, a primeira oportunidade, a resistência que encontraram, a competência que impuseram. E interessam-nos também os obstáculos que continuam de pé — porque uma secção que só celebra não informa.
Um sector que já se movimenta
Angola tem hoje iniciativas consolidadas nesta matéria. A Muhatu Energy, com o apoio da Sonangol, da ANPG e de parceiros do sector, promove fóruns dedicados ao contributo feminino na cadeia de valor do petróleo e gás. O tema tem lugar próprio nas grandes conferências nacionais, incluindo o Angola Oil & Gas. E há figuras cujo percurso já é referência — da engenheira Albina Assis Africano, antiga ministra dos Petróleos, a quadros que hoje ocupam posições executivas nas maiores empresas a operar no País.
A BRENT quer somar a essa dinâmica aquilo que sabe fazer: jornalismo especializado, com rigor técnico e proximidade.
Participe
Esta secção só funciona com o contributo de quem está no terreno.
Se é profissional do sector e quer partilhar o seu percurso, ou se conhece uma colega cujo trabalho merece ser conhecido, escreva-nos. Aceitamos indicações de empresas, associações, instituições de ensino e dos próprios leitores.
MULHERES DO SECTOR começa agora. As histórias, essas, já existem há muito tempo.