COPIA aponta para conclusão da central de Caculo Cabaça em 2029, com 2.172 MW de capacidade instalada

Com 60% dos trabalhos concluídos, o projecto hidroeléctrico de Caculo Cabaça deverá receber os primeiros equipamentos até Dezembro de 2027. A iniciativa reforça a capacidade de geração eléctrica de Angola e a ambição da engenharia nacional de participar em grandes projectos de infra-estruturas.

A COPIA Group of Companies está a avançar com os trabalhos no Aproveitamento Hidroeléctrico de Caculo Cabaça, um dos maiores projectos de geração eléctrica em desenvolvimento em Angola, cuja conclusão está prevista para 2029. Com uma capacidade instalada projectada de 2.172 megawatts (MW), a infra-estrutura deverá desempenhar um papel relevante no reforço da oferta de electricidade e no desenvolvimento do sistema energético nacional.

A informação foi avançada por Adilson Mangueira Nelumba, presidente da COPIA, durante uma conversa com a organização da African Energy Week (AEW) 2026, realizada na Cidade do Cabo, África do Sul.

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Segundo o responsável, os trabalhos de construção atingiram 60% de execução, estando prevista a disponibilização dos primeiros equipamentos até Dezembro de 2027, antes da conclusão global do empreendimento, projectada para 2029.

O responsável destacou igualmente a ambição de o projecto contribuir não apenas para o abastecimento do mercado angolano, mas também para o fornecimento de electricidade a países vizinhos, incluindo a República Democrática do Congo (RDC).

Caculo Cabaça e o reforço da capacidade eléctrica

Localizado no rio Kwanza, o Aproveitamento Hidroeléctrico de Caculo Cabaça constitui um empreendimento estratégico para a expansão da capacidade de produção de electricidade em Angola.

A capacidade prevista de 2.172 MW poderá contribuir para responder ao crescimento da procura interna, apoiar a actividade industrial e reforçar as condições para a expansão do acesso à electricidade.

A disponibilidade de energia constitui um factor determinante para sectores como a indústria transformadora, a mineração, a exploração e produção de petróleo e gás, os transportes e os serviços. O aumento da capacidade de geração poderá, por isso, criar condições mais favoráveis à diversificação económica, desde que acompanhado pelo desenvolvimento das redes de transporte e distribuição e pela capacidade de ligação dos consumidores ao sistema eléctrico.

A eventual exportação de electricidade para países vizinhos dependerá igualmente da disponibilidade efectiva de energia, da capacidade das interligações regionais e dos acordos comerciais necessários.

Neste contexto, Caculo Cabaça integra a ambição de Angola de consolidar a sua posição no mercado energético da África Austral, aproveitando o potencial hidroeléctrico do país para responder à procura nacional e contribuir para a cooperação energética regional.

COPIA reforça presença nas infra-estruturas energéticas

A participação no projecto representa também uma dimensão importante para a evolução da COPIA, empresa angolana com actividade nas áreas de engenharia, supervisão técnica, controlo de qualidade e infra-estruturas.

A companhia tem vindo a alargar a sua intervenção para além dos serviços tradicionais de fiscalização e supervisão, procurando posicionar-se em áreas relacionadas com a geração eléctrica, a tecnologia aplicada à indústria e os serviços técnicos especializados para o sector petrolífero.

Esta diversificação acompanha uma tendência crescente de participação de empresas africanas em diferentes etapas da cadeia de valor energética, desde a construção de infra-estruturas até ao desenvolvimento de soluções digitais para melhorar a gestão e a eficiência dos activos.

Para as empresas nacionais, a participação em grandes projectos de engenharia pode representar uma oportunidade de acumular experiência técnica, desenvolver competências especializadas e ampliar a capacidade de intervenção em mercados regionais.

Tecnologia desenvolvida em Angola procura mercados regionais

Paralelamente à actividade em infra-estruturas, a COPIA está a investir no desenvolvimento de soluções tecnológicas próprias para a indústria petrolífera.

Entre estas iniciativas encontram-se as plataformas Copia Six e Copia DynamicSim, apresentadas pela empresa como ferramentas destinadas a apoiar, respectivamente, a interpretação sísmica e a gestão e simulação de activos petrolíferos.

De acordo com Adilson Mangueira Nelumba, a empresa desenvolveu estas soluções para responder a necessidades técnicas do sector, aproveitando os conhecimentos das suas equipas e os recursos disponíveis localmente.

A COPIA indicou que a plataforma Copia Six já está a ser utilizada na interpretação de dados e que a empresa abriu um escritório na Namíbia, onde clientes começaram a utilizar as suas soluções. A companhia considera igualmente a possibilidade de expandir a presença para Moçambique.

A estratégia procura demonstrar que as empresas angolanas podem ir além da prestação de serviços convencionais, desenvolvendo produtos tecnológicos capazes de competir em mercados internacionais.

A expansão comercial destas plataformas dependerá, contudo, da demonstração dos seus resultados, da adopção pelos clientes e da capacidade de assegurar suporte técnico e evolução contínua dos produtos.

Engenharia, energia e industrialização

A evolução da COPIA reflecte uma ambição mais ampla de reforçar a participação das empresas nacionais nos projectos que sustentam o desenvolvimento económico de Angola.

A combinação entre grandes infra-estruturas de geração eléctrica e soluções tecnológicas para a indústria evidencia a importância de desenvolver competências locais capazes de responder às necessidades de um sector energético cada vez mais exigente.

Para Angola, o desafio consiste em transformar os investimentos em infra-estruturas em benefícios duradouros, através da disponibilidade de energia, da qualificação dos recursos humanos, do desenvolvimento de fornecedores nacionais e da criação de oportunidades de exportação de serviços e tecnologia.

Com a conclusão de Caculo Cabaça projectada para 2029, os próximos anos serão determinantes para avaliar a evolução dos trabalhos, o cumprimento dos marcos de execução e a contribuição efectiva do empreendimento para o sistema eléctrico nacional.

A par da expansão da capacidade de geração, a aposta da COPIA na engenharia e na tecnologia desenvolvida localmente coloca em evidência outra dimensão da transformação energética africana: a necessidade de assegurar que as empresas do continente participem não apenas como executoras de projectos, mas também como produtoras de conhecimento, inovação e soluções industriais.

BRENT Magazine | OIL & GAS: A Nova Voz do Sector Energético Angolano.

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