A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e o Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) formalizaram uma parceria estratégica destinada a reforçar a actividade de exploração petrolífera em Angola através da utilização de tecnologias avançadas de sensoriamento remoto. O acordo foi assinado durante o Fórum Internacional ANGOTIC 2026.
A iniciativa prevê a implementação de um projecto-piloto focado na avaliação do potencial de hidrocarbonetos nas bacias interiores do país. A metodologia baseia-se na identificação de sinais naturais de petróleo e gás à superfície, conhecidos como macro e microexsudações, por meio da análise de imagens de satélite e da resposta espectral dos solos e da vegetação.
Segundo os responsáveis das duas instituições, a tecnologia permitirá reduzir significativamente os custos e os riscos associados às actividades exploratórias em áreas remotas e de difícil acesso. O uso de dados espaciais deverá contribuir para uma melhor definição das zonas com maior potencial petrolífero, optimizando a tomada de decisões e aumentando a eficiência dos programas de exploração.
Durante o evento, especialistas da ANPG apresentaram igualmente os resultados da cooperação já existente com o GGPEN no domínio da monitorização ambiental. A utilização de imagens de satélite tem permitido acompanhar operações petrolíferas offshore, detectar derrames de hidrocarbonetos e reforçar a fiscalização ambiental de forma independente e em tempo real. (ANPG)
O Director de Exploração da ANPG, Lúmen Sebastião, destacou que o projecto ajudará a enfrentar os desafios logísticos associados ao estudo de vastas áreas do território nacional, permitindo concentrar recursos nas zonas mais promissoras. Numa primeira fase, a metodologia será desenvolvida, calibrada e validada antes de uma eventual aplicação em larga escala. (ANPG)
Além da exploração petrolífera, as duas instituições manifestaram interesse em expandir a cooperação para o sector dos biocombustíveis, através da identificação e mapeamento de áreas com potencial para produção de biomassa, reforçando a aposta nacional em soluções energéticas sustentáveis.
A parceria insere-se na estratégia de transformação digital do sector energético angolano e demonstra o crescente papel das tecnologias espaciais no apoio ao desenvolvimento económico e à gestão sustentável dos recursos naturais do país. ANPG