Mais carga, maior produtividade, novos equipamentos e uma estratégia que já ultrapassa as fronteiras nacionais. A SONILS está a preparar a sua base de Luanda para uma nova fase do upstream angolano, enquanto olha para a Namíbia como primeiro passo de uma estratégia logística regional.
A retoma da actividade no upstream angolano começa a produzir efeitos para além das plataformas e dos campos petrolíferos. Na base logística da SONILS, em Luanda, o aumento da actividade offshore já se traduz em maiores volumes de carga, maior utilização das infra-estruturas e uma procura crescente por serviços especializados.
Segundo Anabela Marcos, directora-geral da SONILS, os volumes de contentores movimentados pela empresa mais do que duplicaram face ao período homólogo, enquanto a produtividade operacional aumentou mais de 50%. No mesmo período, a empresa reporta uma redução significativa do número de incidentes e a manutenção de um registo sem acidentes com perda de tempo.
A evolução acompanha um mercado em transformação. Os novos projectos offshore estão a tornar-se mais longos e complexos, exigindo uma cadeia logística capaz de integrar armazenamento, movimentação de carga, heavy lifting, loadout, staging, apoio à fabricação e mobilização de campanhas offshore.
É neste contexto que a SONILS procura reposicionar a sua base de Luanda: não apenas como ponto de apoio logístico, mas como uma plataforma integrada capaz de participar em diferentes fases do ciclo de vida dos projectos.
Do apoio logístico à integração de serviços
A mudança no perfil da procura é uma das principais tendências identificadas pela empresa.
Além dos grandes desenvolvimentos offshore, a SONILS está a responder a programas de perfuração, completação, workover e intervenção, actividades que prolongam a utilização das infra-estruturas e permitem maior previsibilidade na planificação dos recursos.
Projectos como Ndungu, Kaminho e Greater PAJ deverão contribuir para manter este nível de actividade, abrindo espaço para que a SONILS aumente a sua participação na cadeia logística dos projectos.
A empresa considera que o crescimento já não deve ser medido apenas pela quantidade de carga movimentada, mas pelo valor acrescentado em cada operação.
A estratégia passa, por isso, por envolver-se mais cedo no planeamento dos projectos, integrar um maior número de serviços e permitir que uma parcela crescente das necessidades logísticas seja assegurada a partir de Angola.
Investimento em equipamentos chega até 2028
Para sustentar esta expansão, a SONILS está a reforçar a sua capacidade operacional.
Nos últimos anos, a empresa incorporou gruas com capacidade até 350 toneladas, container handlers e uma nova geração de empilhadores, incluindo equipamentos eléctricos, unidades rotativas e máquinas concebidas especificamente para a movimentação de tubulares.
O programa de investimento em equipamentos deverá prolongar-se até 2028.
Mas a modernização da operação não está limitada ao equipamento.
A SONILS está também a apostar na digitalização dos processos, com soluções destinadas a melhorar a visibilidade das operações, o planeamento e a execução dos serviços.
A empresa criou igualmente um Centre of Excellence, direccionado para o desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais, com especial atenção à segurança, às operações especializadas e às exigências de uma logística cada vez mais dependente de tecnologia.
Para Anabela Marcos, equipamento, tecnologia e pessoas precisam de evoluir em conjunto para responder à próxima geração de projectos.
Agogo mostra evolução da capacidade técnica
Um dos exemplos apresentados pela SONILS é o projecto Agogo, que envolveu requisitos logísticos e de apoio offshore mais sofisticados.
A operação incluiu a primeira actividade de flexible pipe transpooling realizada pela empresa, demonstrando a capacidade da infra-estrutura e das equipas angolanas para executar operações especializadas a partir de Luanda.
A experiência surge num momento em que os projectos offshore exigem não apenas maior capacidade física, mas também competências técnicas para planear e executar operações cada vez mais complexas.
A ambição declarada pela SONILS é que os novos projectos desenvolvidos em Angola encontrem no país uma parcela cada vez maior das capacidades necessárias à sua execução.
Conteúdo local passa da participação à capacidade
O desenvolvimento da cadeia de fornecimento nacional constitui outra dimensão da estratégia.
Com cerca de 99% da sua força de trabalho constituída por angolanos, a SONILS afirma estar a procurar aprofundar o desenvolvimento técnico dos seus profissionais através de programas de formação, desenvolvimento de talentos e iniciativas de mentoria.
A empresa defende uma evolução do conceito de conteúdo local: para além da aquisição de bens e serviços nacionais, a prioridade deverá estar na criação de competências capazes de permitir às empresas angolanas competir em áreas mais especializadas e de maior valor acrescentado.
Neste contexto surge também o Business Centre, concebido para criar um ambiente de interacção entre operadores, empresas internacionais de serviços, empresas nacionais e profissionais instalados na base.
A intenção é favorecer a colaboração, a transferência de conhecimento e o desenvolvimento de novas relações empresariais dentro do ecossistema energético.
Luanda como ponto de partida para uma ambição regional
A estratégia da SONILS não termina em Angola.
Com o desenvolvimento da actividade offshore na Namíbia, particularmente no Orange Basin, o país surge como o primeiro mercado identificado pela empresa no âmbito da sua expansão regional.
A lógica assenta na experiência acumulada por Angola ao longo de décadas de actividade offshore: equipamentos especializados, profissionais experientes, padrões operacionais, empresas de serviços e conhecimento na coordenação de campanhas complexas.
A SONILS pretende transportar parte dessa experiência para a Namíbia, mas através de parcerias locais e adaptando as soluções às necessidades e prioridades do mercado namibiano.
Entre as áreas de potencial colaboração estão a gestão de bases logísticas, movimentação e armazenamento de carga, heavy lifting, logística de tubulares, staging, apoio à fabricação, mobilização de embarcações e coordenação logística de campanhas offshore.
A visão apresentada pela empresa é mais ampla do que a simples entrada num novo mercado.
A SONILS identifica a possibilidade de construção progressiva de um corredor energético e logístico Angola–Namíbia, no qual infra-estruturas, equipamentos, competências especializadas e cadeias de fornecimento possam complementar-se.
Uma plataforma logística com ambição africana
A estratégia desenhada para os próximos cinco anos combina três frentes: reforço da capacidade em Angola, integração de serviços e expansão selectiva para outros mercados africanos.
Luanda continuará no centro desta estratégia, com investimentos em infra-estruturas, equipamentos especializados, tecnologia e capital humano.
Ao mesmo tempo, a SONILS pretende aumentar a sua participação em serviços especializados e utilizar a experiência construída em Angola para apoiar o desenvolvimento de outros mercados energéticos do continente.
O movimento acontece num contexto de renovação da actividade de upstream em Angola, com novos projectos e investimentos a gerar necessidades adicionais ao longo da cadeia de fornecimento.
A evolução da SONILS coloca a logística no centro dessa transformação.
Mais do que movimentar cargas entre terra e offshore, a empresa procura posicionar a sua base como uma plataforma capaz de concentrar infra-estruturas, tecnologia, equipamentos, competências e serviços, criando condições para que uma maior parcela do valor associado aos projectos energéticos permaneça no país.
A aposta regional acrescenta uma nova dimensão à estratégia: transformar a experiência logística acumulada em Angola numa capacidade que possa ser conectada a outros mercados africanos de energia.
Da base de Luanda para um possível corredor energético regional, a SONILS está a preparar-se para que a próxima fase do Oil & Gas africano seja também uma oportunidade para exportar conhecimento, capacidade operacional e serviços desenvolvidos em Angola.