Durante a African Energy Week 2026, as duas petrolíferas apresentaram programas de investimento que combinam a ligação de novas descobertas a infra-estruturas existentes, a extensão da vida útil de campos maduros e a intensificação da exploração offshore.
A ExxonMobil e a TotalEnergies destacaram um volume combinado de 7 mil milhões de dólares em investimentos no upstream angolano, durante a African Energy Week (AEW) 2026, realizada na Cidade do Cabo, África do Sul.
Apresentados no painel Invest in Angola, os investimentos compreendem um programa de aproximadamente 4 mil milhões de dólares da ExxonMobil para ligar novos recursos às infra-estruturas de produção existentes e prolongar a vida útil dos activos, bem como 3 mil milhões de dólares em investimentos adicionais da TotalEnergies e dos seus parceiros.
As duas empresas apontaram as reformas regulatórias, a utilização de infra-estruturas existentes e a descoberta de novos recursos como factores que estão a sustentar a continuidade do investimento em Angola.
ExxonMobil aposta na recuperação de activos e na exploração
Brian Unietis, presidente e responsável máximo da ExxonMobil em Angola, explicou que a empresa está a executar um programa de tie-backs avaliado em 4 mil milhões de dólares, destinado a conectar novos reservatórios às instalações existentes, optimizando a capacidade de produção e reduzindo a necessidade de desenvolver infra-estruturas inteiramente novas.
A estratégia inclui também a extensão da vida útil das unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência de petróleo, conhecidas como FPSO, que desempenham um papel central nas operações offshore angolanas.
No Bloco 15, a ExxonMobil prossegue os trabalhos de exploração após a descoberta de Vicango Este-01, anunciada em Setembro de 2026. A empresa está igualmente a perfurar outro poço de exploração e a realizar um levantamento sísmico 4D sobre a concessão.
Esta tecnologia permite acompanhar as alterações do reservatório ao longo do tempo, contribuindo para uma melhor compreensão dos recursos e para decisões mais informadas sobre a produção.
A combinação entre exploração e aproveitamento das infra-estruturas existentes procura acelerar a entrada em produção de novos recursos e prolongar o contributo dos activos em operação.
TotalEnergies mobiliza mais 3 mil milhões de dólares
A TotalEnergies atribui parte do reforço do investimento às alterações introduzidas no quadro regulatório angolano, em particular ao Decreto sobre Produção Incremental, que criou incentivos para prolongar a vida útil dos campos e estimular investimentos adicionais.
Martin Deffontaines, director-geral e responsável da TotalEnergies em Angola, afirmou durante o evento que o enquadramento permitiu à empresa e aos seus parceiros mobilizar mais 3 mil milhões de dólares em investimentos.
A empresa obteve igualmente uma extensão de 20 anos para o campo Dalia, um dos activos relevantes do seu portefólio no país.
A TotalEnergies opera actualmente seis FPSO em Angola, tendo uma sétima unidade em desenvolvimento. Em Setembro, anunciou também a descoberta de Acacia-5, no Bloco 17, e a entrada em dois novos blocos de exploração, reforçando a estratégia de procurar recursos próximos de infra-estruturas já existentes.
Esta abordagem pode permitir reduzir custos de desenvolvimento e acelerar a eventual ligação de novas descobertas às instalações de produção, desde que as condições técnicas e económicas sejam favoráveis.
ANPG pretende acelerar a actividade de exploração
A Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) pretende intensificar a actividade de exploração no âmbito da Estratégia de Hidrocarbonetos 2025–2050.
Durante o painel, Alcides Andrade, membro do Conselho de Administração da ANPG, apontou a meta de perfurar entre 10 e 15 poços de exploração por ano, com o objectivo de reforçar as reservas e promover a comercialização dos recursos descobertos.
A estratégia inclui também o desenvolvimento do gás natural e o reforço da competitividade do sector, sem perder de vista a sustentabilidade das operações e o desenvolvimento da capacidade nacional.
A meta de perfuração constitui um indicador da ambição exploratória do país, mas a sua concretização dependerá da execução dos programas das concessionárias, da disponibilidade de capital e dos resultados geológicos obtidos.
Reformas e investimento para sustentar a produção
Os anúncios da ExxonMobil e da TotalEnergies reflectem uma orientação que ganha peso no sector petrolífero angolano: combinar novas descobertas com o aproveitamento dos activos existentes.
Num contexto de maturidade de vários campos offshore, a ligação de novos reservatórios às infra-estruturas em operação pode ajudar a conter custos, prolongar a produção e aproveitar melhor os investimentos já realizados.
Contudo, os valores anunciados não devem ser interpretados como um aumento imediato da produção nacional. O impacto efectivo dependerá do calendário dos projectos, da entrada em operação dos novos recursos e do desempenho dos campos